MASP

Alcipe (Leonor de Almeida Portugal de Lorena e Lencastre)

Autorretrato de Leonor de Almeida Portugal de Lorena e Lencastre, 1787-90

  • Autor:
    Alcipe (Leonor de Almeida Portugal de Lorena e Lencastre)
  • Dados biográficos:
    Lisboa, Portugal, 1750-Lisboa, Portugal ,1839
  • Título:
    Autorretrato de Leonor de Almeida Portugal de Lorena e Lencastre
  • Data da obra:
    1787-90
  • Técnica:
    Óleo sobre tela colada sobre painel
  • Dimensões:
    28 x 22 x 0,5 cm
  • Aquisição:
    Doação Vasco Lima, 1949
  • Designação:
    Pintura
  • Número de inventário:
    MASP.00177
  • Créditos da fotografia:
    João Musa

TEXTOS



A presente tela foi uma das primeiras obras de autoria feminina a integrar o acervo do MASP. Trata‑se de um autorretrato pintado por Leonor de Almeida Portugal de Lorena e Lencastre (1750‑1839), mais conhecida como Alcipe. Filha do marques Dom João de Almeida Portugal (1663‑1733), essa nobre de origem portuguesa teve uma vida atribulada. Sua família foi perseguida pelo Marques de Pombal (1699‑1782), que ordenou a execução de seus avós maternos, a prisão de seu pai e o encarceramento dela, de sua irmã e de sua mãe no convento de São Felix em Chelas, onde viveu dos oito aos 27 anos de idade. No convento, ela teve acesso a diversas obras nas áreas de filosofia, literatura, poesia, música e pintura. Dedicou‑se sobretudo a poesia; além de traduzir clássicos, foi uma escritora versátil, com vasta produção. Seu talento era reconhecido até mesmo por seus contemporâneos, que iam ao convento para ouvi‑la declamar. Foi inclusive nesse período que adotou o nome Alcipe. Além das letras, ela também se dedicou a pintura, prática considerada um sinal de refinamento e distinção. Essa pintura foi feita provavelmente enquanto a nobre vivia em Viena, na Áustria, em virtude de postos assumidos por seu marido, Karl von Oyenhausen‑Gravenburg (1776‑1838), com quem se casou aos 29 anos. Na construção de seu autorretrato, Alcipe optou por destacar sua identidade física, sem atributos ligados as suas atividades intelectuais e artísticas: não há pinceis, paleta ou livros. O rosto delicado, o penteado e a cor dos cabelos, assim como a pose do corpo e a roupa são inspiradas na “simplicidade” propagada por Jean‑Jacques Rousseau (1712‑1778), autor de predileção da artista. Trata‑se de uma pintura formalmente frágil, mas que pode ser entendida também como um documento histórico importante acerca da valorização da prática da pintura por mulheres nobres.

— Ana Paula Cavalcanti Simioni, livre‑docente em sociologia da arte, IEB-USP, 2019


Fonte: Adriano Pedrosa, Isabella Rjeille e Mariana Leme (orgs.), Histórias das mulheres, Histórias feministas, São Paulo: MASP, 2019.




Por Ana Paula Simioni
Esta tela foi uma das primeiras obras de autoria feminina a integrar o acervo do MASP, e ainda é a única de uma artista que trabalhou no século 18. Trata-se de um autorretrato pintado por Leonor de Almeida Portugal de Lorena e Lencastre (1750-1839), mais conhecida como Alcipe, filha do marquês D. João de Almeida Portugal (1663-1733). Sua família foi perseguida pelo Marquês de Pombal (1699-1782), que ordenou a execução de seus avós maternos, a prisão de seu pai e o encarceramento dela, de sua irmã e de sua mãe no convento de São Félix em Chelas, onde viveu dos oito aos 27 anos de idade. No convento, ela teve acesso a diversas obras nas áreas de filosofia, literatura, poesia, música e pintura. Dedicou-se sobretudo à poesia: além de traduzir clássicos, foi uma escritora versátil, com vasta produção. Mas ela também se dedicou à pintura, prática vista à época como um sinal de refinamento e distinção. Essa pintura foi feita provavelmente enquanto a nobre vivia em Viena, e na construção de seu autorretrato Alcipe optou por destacar sua identidade física, sem atributos ligados às suas atividades intelectuais e artísticas: não há pincéis, palheta ou livros. O rosto delicado, o penteado e a cor dos cabelos, assim como a pose do corpo e a roupa são inspiradas na ‘simplicidade’ propagada por Jean-Jacques Rousseau (1712-1778), autor de predileção da artista.

— Ana Paula Simioni, livre-docente em história da arte, Instituto de Estudos Brasileiros, USP, 2019





Por Luciano Migliaccio
O quadro Auto-Retrato tem formato oval, emoldurado por um passe-partout em madeira cinza com perfis dourados. O retrato apresenta a marquesa de Alorna de meio-corpo. A mão esquerda toca o rosto. Ela parece ter cerca de 40 anos, portanto, mais idosa que no retrato exposto no palácio da Fronteira. Em 1793, a marquesa ficou viúva, mas no quadro não há referência a esse acontecimento. A pose é aquela da poetisa reflexiva e sonhadora, dos poemas de Young ou da retratística de Angélica Kauffmann e de Elisabeth Vigée-Lebrun, pintoras que Alcipe certamente admirava. O quadro, portanto, poderia ser datado de alguns anos antes, provavelmente em fins da década de 1780. O cabelo da figura é singelo e elegante, enfeitado por apenas um fio de pérolas, segundo a moda da época Luís XVI, anterior a 1790. No cartão da Galeria Jorge do Rio de Janeiro, colado no verso do painel, afirma-se que o quadro teria vindo para o Brasil na época da viagem do filho da marquesa de Alorna.

— Luciano Migliaccio, 1998


Fonte: Luiz Marques (org.), Catálogo do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand, São Paulo: MASP, 1998. (reedição, 2008).



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