MASP

Ismael Nery

Autorretrato Rio / Paris, 1927

  • Autor:
    Ismael Nery
  • Dados biográficos:
    Belém, Brasil, 1900 - Rio de Janeiro, Brasil, 1934
  • Título:
    Autorretrato Rio / Paris
  • Data da obra:
    1927
  • Técnica:
    Óleo sobre tela
  • Dimensões:
    129 x 84 cm
  • Aquisição:
    Coleção Domingos Giobbi, em empréstimo de longa duração ao MASP
  • Designação:
    Pintura
  • Número de inventário:
    C.01278
  • Créditos da fotografia:
    Eduardo Ortega

TEXTOS



Ismael Nery (1900-1934) é um artista essencial e singular no modernismo brasileiro, e seu Autorretrato Rio/Paris, sua obra prima. Nasceu em Belém, filho de um médico da marinha e uma rica proprietária de imóveis. A família mudou-se para o Rio de Janeiro em 1902, e desde os quatro anos Ismael demonstrou interesse pelo desenho. Esteve na Europa algumas vezes, tendo frequentado a famosa Académie Julian, tradicional escola de pintura em Paris. Morreu aos 33 anos, vítima de tuberculose, e nesse sentido realizou poucas obras, exposições, e nenhuma venda ao longo de sua curta vida — foi após sua morte que se tornou uma figura-chave em nossa história da arte. Nery era um homem bonito e vaidoso, um dândi, e formava com sua mulher, a escritora Adalgisa (1905-1980), um belo casal, retratado em muitas de suas obras — por vezes ao lado de seu amigo, o escritor Murilo Mendes (1901-1975). Em Paris em 1927, Nery tomou contato com o surrealismo, conhecendo André Breton (1896-1966) e Marc Chagall (1887-1985)— este, uma forte influência, como pode ser visto em Violinista verde (1923-24), do pintor russo, que tem semelhanças com nosso Autorretrato, pintado naquele ano de 1927. Na pintura, de dimensões grandes para a obra do artista, Nery está dividido entre dois mundos — o brasileiro e o europeu — e duas cidades — a sua direita, o Rio de Janeiro, com o Pão de Acúcar e o bairro de Botafogo onde o artista morou; a sua esquerda, Paris, com a Torre Eiffel, seus prédios cinzas e bosques verdes. Dois perfis emolduram (ou beijam) o rosto do artista — talvez o de Adalgisa e de Murilo. A camisa de camponês russo (outra possível referência a Chagall) tem um complexo tratamento geometrizado, esboçando um cubismo. P. M. Bardi (1900-1999), diretor-fundador do MASP, escreveu que não se trata de um autorretrato, mas de uma verdadeira autobiografia. O museu agora possui 3 pinturas do artista em seu acervo.

— Adriano Pedrosa, diretor artítistico, MASP, 2020



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