A artista Sol Calero (Caracas, 1982) cria ambientes imersivos inspirados nas arquiteturas populares latino-americanas. Fachadas e paredes em cores vibrantes são revestidas por padrões decorativos pintados à mão e mosaicos, formando uma espécie de grande pintura tridimensional. Os títulos de suas obras frequentemente remetem a figuras femininas celebradas em canções de salsa. É o caso de María Lionza, que dá título ao pavilhão concebido para o Vão Livre, homenageando uma divindade que mescla elementos indígenas, afro-americanos, católicos e espiritualistas venezuelanos.
Casa María Lionza (2026) propõe um ambiente acolhedor, inspirado nos espaços domésticos administrados por mulheres. Outras referências para Calero são o projeto da arquiteta Lina Bo Bardi (1914-1992) — que concebeu o edifício do MASP — para a Igreja do Espírito Santo do Cerrado (1975-81), em Uberlândia, bem como as fotografias de Anna Mariani (1935-2002) de fachadas de casas no nordeste brasileiro.
Sol Calero: Casa María Lionza é curada por Adriano Pedrosa, diretor artístico, e Laura Cosendey, curadora assistente, MASP.