MASP

Jacopo da Ponte Bassano

Adoração dos pastores, 1580-90

  • Autor:
    Jacopo da Ponte Bassano
  • Dados biográficos:
    Bassano del Grappa, Itália, 1510-1592
  • Título:
    Adoração dos pastores
  • Data da obra:
    1580-90
  • Técnica:
    Óleo sobre tela
  • Dimensões:
    140,5 x 190,5 x 4 cm
  • Aquisição:
    Doação Rosalina Coelho Lisboa de Larragoiti, Samuel Ribeiro, Silvio Alvares Penteado, Gladston Jafet, "Brazilian Traction", Major Kenneth Mc Crimmon, Louis La Saigne, Ernesto Larragoiti, Joaquim Magalhães, José Gonçalves de Sá, Indústrias Químicas e Farmacêuticas Schering, Antenor Rezende, Henry Borden, Evaristo Fernandes, Família Álvares Penteado, 1950
  • Designação:
    Pintura
  • Número de inventário:
    MASP.00026
  • Créditos da fotografia:
    João Musa

TEXTOS



Doada pelo visconde Allendale a um leilão beneficente da Christie’s de Londres para a National YWCA, da Grã-Bretanha, a obra Adoração dos Pastores foi vendida ao Studio d’Arte Palma em 24 de junho de 1949 (n. 63), como de Leandro Bassano. Em carta não datada a P. M. Bardi, mas imediatamente posterior a essa venda, Roberto Longhi avança a hipótese de que a obra seja a que mais se aproxime, dentre as variantes mais conhecidas da Galleria Borghese de Roma e da Catedral de Pádua, do original de Jacopo Bassano, por ele então desconhecido: “Como já foi notado, é sobremaneira provável que tais variantes remontem a um original perdido do próprio Jacopo Bassano. Ora, ocorre que nesta tela as primeiras massas de esboço, por exemplo, as árvores à esquerda e o camponês com o chapéu vermelho [ sic] do mesmo lado têm um caráter bem mais ‘jacopesco’ que as variantes de Roma e de Pádua. Além disso, o quadro não está terminado (por exemplo, as massas da cabana à direita estão apenas esboçadas); e também isto poder-nos-ia fazer crer que tenhamos aqui uma tela com as primeiras fundações esboçadas pelo pai [Jacopo Bassano] e mais tarde levadas adiante pelos filhos Francesco e Gerolamo, mas sem a finalização”. Embora o estado de conservação da obra não seja ruim, apenas uma limpeza tornaria melhor a visibilidade e possibilitaria um juízo seguro sobre a autoria precisa da obra no âmbito do ateliê de Jacopo, questão esta por vezes árdua mesmo em pinturas conservadas. Desde logo, deve-se excluir a autografia exclusiva de Jacopo, devido sobretudo à pincelada mais pesada e material de nossa obra, incapaz de traduzir perfeitamente a vibração espiritualizante da última fase do artista. Apesar disso, a qualidade da obra mantém-se em geral muito elevada, o que descarta também uma execução de Gerolamo, filho caçula e imitador mais mecânico de Jacopo, raramente capaz de compreender, senão de forma paródica e prosaica, a poética do pai. Uma atribuição a Francesco (de preferência a Leandro), trabalhando sobre um modelo do pai, o qual poderia ter intervindo pessoalmente, por exemplo, nas es- petaculares figuras do menino agachado à direita, do camponês ajoelhado e mesmo de São José, poderia verificar-se verossímil, sobretudo após a limpeza. Contudo, o original de Jacopo Bassano, supostamente perdido segundo Longhi, existe. Trata-se da obra do Munson-Williams-Proctor Institute de Utica, em Nova York, exposta na Christmas exhibition de 1958 do Art Museum School of Art e publicada em seu boletim de dezembro de 1958. Do ponto de vista da composição, a obra do Masp não difere da de Utica senão em detalhes de fundo como a presença da choupana à direita em vez da esquerda, o motivo do menino na coluna, reminiscência rafaelesca não incluída na obra norte-americana, e outros detalhes de me- nor monta. A obra de Utica, além de ligeiramente mais clara, o que pode no limite ser imputado a seu melhor estado de limpeza e conservação, tem um desenho mais seguro e um luminismo menos dramático. É evidente que a obra do Masp pertence a um período posterior da evolução do ateliê de Jacopo, quando o jogo luminista adquire valores de fosforescências noturnas, tal como na Susana do Museu de Nêmes, datada de 1585. Não é menos evidente que a obra se aproxima extremamente, do ponto de vis- ta de sua fatura, da versão invertida da Adoração dos Magos de Francesco, conservada na Pinacoteca de Dresden (Venturi 1929, fig. 882), embora esta ainda pareça, em seu luminismo menos dramático, definitivamente anterior. O paralelo com os noturnos dos anos yo e 80 é inevitável, e é bem possível que a obra date dos anos 80. Este é o último decênio de atividade conjunta de Jacopo e de Francesco, seu filho mais velho (1549-1592) e natural sucessor, o qual monta ateliê próprio em Veneza a partir 1579, sem abandonar em definitivo o ateliê de Bassano. Dentre outras versões da composição, cumpre destacar ainda a da National Gallery of Scotland, em Edimburgo (invertida), atribuída a Jacopo Bassano e ateliê.

— Autoria desconhecida, 1998


Fonte: Luiz Marques (org.), Catálogo do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand, São Paulo: MASP, 1998. (reedição, 2008).



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