MASP

Pierre-Auguste Renoir

Banhista enxugando a perna direita, circa 1910

  • Autor:
    Pierre-Auguste Renoir
  • Dados biográficos:
    Limoges, França, 1841-Cagnes-sur-Mer, França ,1919
  • Título:
    Banhista enxugando a perna direita
  • Data da obra:
    circa 1910
  • Técnica:
    Óleo sobre tela
  • Dimensões:
    84 x 65 x 20,5 cm
  • Aquisição:
    Doação Geremia Lunardelli; Silvério Ceglia; Severino Pereira da Silva; Companhia Carioca Industrial; Jockey Club de São Paulo, 1952
  • Designação:
    Pintura
  • Número de inventário:
    MASP.00101
  • Créditos da fotografia:
    João Musa

TEXTOS



Banhista enxugando a perna direita ( c. 1910) e Banhista enxugando o braço direito (grande nu sentado) (1912) pertencem ao período da obra tardia de Pierre-Auguste Renoir (1841-1919). Em 1881, após pintar algumas de suas telas mais conhecidas do impressionismo, Renoir passou uma temporada na Itália a fim de ter um contato mais intenso com obras dos grandes artistas do renascimento como Rafael (1483-1520) e Ticiano (1488-1576). O impacto dessa experiência foi tamanho que, de volta a Paris, Renoir começou a reavaliar seu próprio trabalho, afastando-se da pintura impressionista que o havia tornado tão reconhecido no meio artístico. A tela As grandes banhistas (1884-1887) é considerada um marco desse momento de sua carreira. Banhistas foram um tema explorado pelo artista desde os primeiros anos de seu trabalho – a exemplo de outra obra da coleção do MASP, A banhista e o cão griffon - Lise à beira do Sena (1870) – e se tornaram o principal motivo de sua pintura até a sua morte em 1917. Debilitado por uma fortíssima artrite reumatóide, tendo que usar os pincéis atados às mãos para pintar, Renoir mudou-se para uma casa no campo. Além de diversos retratos de sua família, lá produziu uma enorme quantidade de nus femininos como esse, muito influenciado pelas imagens altamente decorativas e pictóricas de Peter-Paul Rubens (1577-1640). Ainda que considerada por muitos críticos como uma virada conservadora, esse foi o período em que Renoir se sentia mais realizado com a sua própria pintura, em diálogo e reverência àqueles que considerava os grandes mestres dessa linguagem. Banhista enxugando o braço direitoé característica da obra tardia de Renoir: em tons pastéis, sem contornos firmes, o fundo desfocado mistura suas cores nos limites da pele. O MASP possui 12 pinturas e uma escultura do artista, cobrindo toda sua carreira.

— Equipe curatorial MASP





Por Luciano Migliaccio
Pintada em Cagnes por volta de 1910, Banhista Enxugando a Perna Direita faz parte de uma série de nus, cujo protótipo é a Banhista Ferida, de 1909 (Paris, coleção particular). A opulência das formas da jovem ocupa quase inteiramente o espaço do quadro “a ponto de explodi-lo”, como disse o próprio Renoir (André, 1928, pp. 44-45). Percebe-se a presença de Tiziano e sobretudo de Rubens na anatomia do nu e na técnica da pintura. Camesasca (1989, p. 166) nota que o pintor usa uma paleta concisa formada por rosa e branco nas carnes. Renoir atenua o tom com sombras opacas que foram posteriormente raspadas, deixando sobressair a cor da base nos pontos mais iluminados. Denis (1922, p. 113) observa que o artista dedicou particular atenção aos tons neutros, isto é, aos cinzas, que fazem “cantar” as outras cores, formando ao mesmo tempo uma unidade. A pincelada parece criar um movimento ondulado nas formas, que sugere não apenas o volume e os efeitos da luz, como também uma série de curvas e ressaltos luminosos na superfície da tela, fornecendo um percurso para o olhar (House, 1985, p. 330). Essa técnica indica que, nesta fase, Renoir não ficou insensível às propostas da Art Nouveau. Millard (1976, p. 82) aproxima a Banhista de Renoir às esculturas de Degas, como A Mulher se Banhando. Para Camesasca (p. 168), a figura parece derivar de uma famosa escultura antiga, representando um menino que extrai um espinho do pé, conservada no Museo Capitolino de Roma e conhecida por muitas reproduções.

— Luciano Migliaccio, 1998


Fonte: Luiz Marques (org.), Catálogo do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand, São Paulo: MASP, 1998. (reedição, 2008).



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