MASP

Henrique Bernardelli

Interior com menina que lê, 1876-86

  • Autor:
    Henrique Bernardelli
  • Dados biográficos:
    Valparaíso, Chile, 1858-Rio de Janeiro, Brasil ,1936
  • Título:
    Interior com menina que lê
  • Data da obra:
    1876-86
  • Técnica:
    Óleo sobre tela
  • Dimensões:
    94 x 63,5 x 2,2 cm
  • Aquisição:
    Doação Abrahão Ribeiro, 1947
  • Designação:
    Pintura
  • Número de inventário:
    MASP.00289
  • Créditos da fotografia:
    João Musa

TEXTOS



Filho de artistas circenses, Bernardelli frequentou a Academia Imperial de Belas Artes do Rio de Janeiro, onde foi aluno de Victor Meirelles (1832-1903) e Zeferino da Costa (1840-1915). Viajou a Roma, onde seu irmão, o escultor Rodolfo Bernardelli (1852-1931), já morava. Depois de oito anos de experiência na Europa, Bernardelli voltou ao Rio de Janeiro, onde começou a lecionar na Escola Nacional de Belas Artes (1891-1906). A obra de Bernardelli é representativa da produção das últimas décadas do século 19 no Brasil, na transição entre o Império e o advento da República, caracterizada por um desenvolvimento da pintura de paisagem ou de gênero. É o caso de Interior com menina que lê, obra na qual uma camponesa sentada sobre uma mesa lê uma carta aproveitando a luz que entra por uma janela atrás dela. A claridade ilumina o ambiente despojado: o piso de terracota, um banquinho e uma arca de madeira, o tecido e os utensílios do trabalho de costura interrompido. As pinturas de Bernardelli que abordavam diretamente os temas da miséria e da imigração foram recebidas como sinais da superação do sistema imposto pela Academia Imperial, que valorizava temáticas ligadas à vida burguesa, história e religião.

— Equipe curatorial MASP, 2017




Por Luciano Migliaccio
Datado da estada italiana de Henrique Bernardelli (1878-1885), a obra Interior com Menina que Lê representa as novas qualidades que sua pintura passou a representar aos olhos dos jovens artistas e críticos reformadores dos últimos anos do império. A esse respeito o crítico de arte Gonzaga-Duque escreveu em A Arte Brasileira (1887): “A sua obra é vigorosa e cheia de ousadia. Cheia de ousadia, sim! Porque ela é nova, porque ultrapassa os arruinados sistemas da confecção acadêmica, porque faz sentir o caráter essencial do objeto, segundo a expressão de H. Taine, porque comove e é pessoal e é verdadeira”. O realismo de Bernardelli, derivado de certa pintura anedótica toscana, como a dos irmãos Gioli, ou napolitana, era suficiente para quem buscava uma renovação da arte brasileira em função da nova literatura naturalista de influência francesa, exemplificada pela obra, modelo dos positivistas republicanos.

— Luciano Migliaccio, 1998


Fonte: Luiz Marques (org.), Catálogo do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand, São Paulo: MASP, 1998. (reedição, 2008).



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