MASP

João Baptista Castagneto

Marinha com barco, 1895

  • Autor:
    João Baptista Castagneto
  • Dados biográficos:
    Gênova, Itália, 1851-Rio de Janeiro, Brasil ,1900
  • Título:
    Marinha com barco
  • Data da obra:
    1895
  • Técnica:
    Óleo sobre madeira
  • Dimensões:
    19 x 22 x 0,5 cm
  • Aquisição:
    Doação Assis Chateaubriand, 1947
  • Designação:
    Pintura
  • Número de inventário:
    MASP.00297
  • Créditos da fotografia:
    João Musa

TEXTOS


Por Pollyana Quintella
Marinheiro de Gênova, na Itália, João Baptista Castagneto (1851-1900) veio para o Brasil em 1874, onde estudou pintura de paisagem com Georg Grimm (1846-1887) na Academia Imperial de Belas Artes, no Rio de Janeiro. O mestre alemão incentivava seus alunos a romper com os métodos tradicionais e pintar ao ar livre, o que o levou a criar um ateliê na praia de Boa Viagem, em Niterói — experiência que seria transformadora para sua obra. Marinha com barco (1895), realizada em seus últimos anos de vida, é uma pintura a óleo feita sobre a tampa de madeira de uma caixa de charutos, suporte frequente em sua produção. Embora identifiquemos um barco encalhado, não há nenhum outro signo explícito, contornos rigorosos ou linhas bem definidas, o que faz com que céu e mar sejam fundidos na paleta de tendência monocromática. O pintor não representa aqui nenhum grande evento histórico segundo os padrões acadêmicos, nem mesmo manifesta o anseio de fixar as características de uma vista local. Embora seja uma pintura en plein air (expressão francesa usada para descrever o ato de pintar ao ar livre), não sabemos que praia é essa, e isso torna-se desimportante. O que se sobressai com a gestualidade rápida e sintética do artista é a construção de uma atmosfera subjetiva, o embate entre homem e natureza, bem como certo sentimentalismo melancólico. Castagneto estava interessado na vida simples dos pescadores, nos detalhes silenciosos da paisagem e no lirismo dos recantos à beira-mar. Sua obra deixou uma notável contribuição para o processo de modernização da pintura brasileira.

— Pollyana Quintella, mestre em Arte e Cultura Contemporânea, UERJ, 2021




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