MASP

Thomas Gainsborough

Parque Drinkstone (o bosque de Cornard [?]), 1747

  • Autor:
    Thomas Gainsborough
  • Dados biográficos:
    Sudbury, Inglaterra, 1727-Londres, Inglaterra ,1788
  • Título:
    Parque Drinkstone (o bosque de Cornard [?])
  • Data da obra:
    1747
  • Técnica:
    Óleo sobre tela
  • Dimensões:
    146 x 156,5 x 4 cm
  • Aquisição:
    Doação Santos Vahlis, 1951
  • Designação:
    Pintura
  • Número de inventário:
    MASP.00198
  • Créditos da fotografia:
    João Musa

TEXTOS



Gainsborough é um dos protagonistas da pintura de paisagem que caracterizou a arte inglesa do século 18. Nasceu no pequeno povoado de Sudbury, no nordeste da Inglaterra, mas estudou em Londres e frequentou um ateliê de gravura e a St Martin’s Lane Academy, precursora da Royal Academy. Depois desse período, Gainsborough mudou-se para Bath, um balneário frequentado pela elite, conquistando ali muitos compradores de suas obras. Em Drinkstone Park (O bosque de Cornard?) ( circa 1747), as nuvens carregadas tornam a luz difusa, iluminando igualmente os verdes e castanhos da paisagem. Na cena, um homem dorme na estrada, em meio ao bosque arborizado. A sua presença, contudo, é apenas um detalhe em meio ao protagonismo da vegetação. Essa inversão temática do homem para a natureza era comum na linguagem da pintura de paisagem na Inglaterra naquele contexto; usavam-se caminhos curvos, áreas vazias, árvores e bosques distribuídos sem simetria no quadro, de modo a interromper a vista completa da paisagem e criar a sensação de que o espectador está caminhando nesta paisagem. O título da obra mostra que há dúvida sobre o lugar que a pintura representa: pode ser o bosque de Cornard, que foi cenário de outras obras do artista, como a tela semelhante da coleção da National Gallery de Londres; ou pode ser o próprio Drinkstone Park, já que o dono do parque era proprietário desta tela.

— Equipe curatorial MASP, 2017




Por Luciano Migliaccio
Waterhouse abre o capítulo de seu catálogo de 1958 dedicado a “Lanscapes of the earlier Suffolk period” com o quadro Drinkstone Park (O Bosque de Cornard ?), esclarecendo desde logo uma confusão sobre seu tema e título: “it is not, as usually stated a view of Drinkstone Park, but a free variation on a picture by J. Ruysdael (Louvre), of which Gainsborough made a chalk copy” (p. 107, n. 826). Não obstante esta confusão, é de assinalar a coincidência de que a obra foi encomendada ou comprada no ateliê do artista por Joshua Grigby, o criador de Drinkstone Park, que de resto posou em seguida para o artista (Camesasca 1988, p. 160). A obra de Ruysdael em questão, A Floresta, encontra-se em depósito no Musée de Douai, e o belo desenho, datado por Hayes de finais dos anos 4o, este efetivamente uma cópia exata do quadro, pertence à Whitworth Art Gallery, University of Manchester, na Inglaterra (Woodall 1949, p. 26). No que se refere à obra do Masp, é certamente possível concordar com Waterhouse, à condição de entender aqui a noção de “variação livre” em seu sentido mais forte, isto é como reelaboração a partir de alguns elementos da obra de Ruysdael, sendo a intermediação do desenho de Manchester já mediada por uma gravura, talvez de Geissler. Hayes (1981, p. 182) considera que “este desenho elaborado de A Floresta ensinou-lhe muito, pois ele utilizou a bétula em várias de suas paisagens da época e sua composição como um todo está na base da mais acabada de suas primeiras obras, a tela conhecida pelo nome de Floresta de Gainsborough (National Gallery, Londres), assim como no quadro em São Paulo”. A obra de Londres é também chamada O Bosque de Cornard, de modo que a obra do Masp pode representar um compromisso entre o modelo holandês e uma paisagem real. Tal razão induziu Camesasca a propor hipoteticamente um título alternativo à obra do Masp: O Bosque de Cornard. Hayes (1982, p. 347) data a obra do Masp de 1747 por suas estreitas similitudes com o Rest by the Way do Philadelphia Museum of Art daquele ano, única obra datada por Gainsborough (Baetjer 1993, p. 104). Drinkstone Parké a maior paisagem pintada por Gainsborough até o período de Bath. Para Hayes, a execução é muito mais solta e madura que em todos os quadros anteriores, e, até 1763, data da paisagem de Worcester enviada pelo artista à exposição da London Society of Artists, não há registro de outra obra sua com dimensões comparáveis. O tema da figura que dorme à beira da trilha encontra-se, em Gainsborough, apenas nessa obra e na de Philadelphia e derivaria da influência de Berchem (Hayes 1981, p. 97). Uma cópia aproximadamente do mesmo tamanho, atribuída possivelmente a Francis Towne, encontra-se no Leicester Museums and Art Gallery. Camesasca (1987, p. 146) nota que a estrutura do quadro está baseada, como é comum em Gainsborough quando jovem, em três “lugares” ou focos de atenção, e na retomada de motivos já utilizados em outras obras, derivados de paisagistas flamengos, que o pintor gostava muito de imitar, como revela numa carta. O retrato provém da coleção do reverendo Robert Bolton, que emigrou em 1836 para os Estados Unidos, aí construindo a Bolton Priory, em Pelham, no estado de Nova York em 1838. O Retrato de Senhora John Bolton passou por herança à filha do reverendo, Nanette Bolton, que o deixou a sua irmã, Adele, da qual passou à sobrinha Arabella J. Bolton e de cuja herança saiu para entrar no museu. Waterhouse data o quadro dos anos 70, isto é, da fase em que Gainsborough consolidara já uma enorme clientela em Bath, desejosa de se fazer retratar durante sua estada de repouso na cidade. A obra foi emprestada de 13 de março a 11 de julho de 1912 ao Metropolitan Museum of Art de Nova York.

— Luciano Migliaccio, 1998


Fonte: Luiz Marques (org.), Catálogo do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand, São Paulo: MASP, 1998. (reedição, 2008).



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