MASP

Paul Gauguin

Pobre pescador, 1896

  • Autor:
    Paul Gauguin
  • Dados biográficos:
    Paris, França, 1848-Ilhas Marquesas ,1903
  • Título:
    Pobre pescador
  • Data da obra:
    1896
  • Técnica:
    Óleo sobre tela
  • Dimensões:
    75 x 65 cm
  • Aquisição:
    Doação Henryk Spitzman-Jordan, Ricardo Jafet, João di Pietro, 1958
  • Designação:
    Pintura
  • Número de inventário:
    MASP.00109
  • Créditos da fotografia:
    João Musa

TEXTOS



Paul Gauguin viveu seus primeiros anos em Lima, no Peru. Após voltar à França, integrou a marinha entre 1865 e 1871. Foi agente de câmbio e, ao mesmo tempo, começou a pintar como amador. Entre 1880 e 1886, participou de mostras do grupo impressionista e passou a se dedicar exclusivamente à pintura. Iniciou‑se um período de dificuldades materiais e familiares que o levaram a buscar uma alternativa à realidade da metrópole. Primeiro foi estudar a cultura camponesa na Bretanha; depois, passou uma temporada com Vincent van Gogh (1853‑1890) na Provença, onde ocorreu um dramático episódio entre os dois, ocasionando o rompimento da amizade. De 1895 até a morte, morou no Taiti, pintando a vida cotidiana dessa ilha e utilizando essas paisagens como pano de fundo para suas criações. Seu estilo não foi uma fuga em direção ao exótico, mas uma busca de valores formais alternativos à arte ocidental, colhidos em inúmeras fontes e reelaborados com grande habilidade. É o caso de Pobre pescador, em que um sujeito nu e reclinado sobre uma canoa bebe em uma cuia e observa o mar e as nuvens turvas. A pose pode derivar de um relevo egípcio do Templo de Abidos, cuja fotografia estava na coleção de Gauguin.

— Equipe curatorial MASP, 2015


Fonte: Adriano Pedrosa (org.), MASP de bolso, São Paulo: MASP, 2020.




Por Luciano Migliaccio
Uma composição semelhante encontra-se na tela Te Vaa (A Canoa) (São Petersburgo, Ermitage), assinada e datada de 1896. Wildenstein identifica o quadro do Masp Pobre Pescador como uma das nove telas enviadas por Gauguin ao marchand Vollard, citadas em carta de 9 de dezembro de 1896, isto é, uma “paisagem à beira-mar com um pescador bebendo ao lado de seu barco”. Kostenevitch nota que Gauguin poderia referir-se também ao quadro do Ermitage. Porém, nesse último estão representadas duas outras figuras, a mulher do pescador e uma criança. O modelo de Gauguin foi o Pauvre Pêcheur de Puvis de Chavannes (1881, Paris, Musée d’Orsay). Camesasca (1989, p. 184) ressalta que Puvis isola suas figuras enquanto Gauguin une-as por meio de uma tensa dinâmica da composição. Bodelsen, não tendo oportunidade de examinar pessoalmente a obra, exprimiu reservas sobre o quadro do Masp, ao lado de outros 29 julgados autênticos por Wildenstein. Isso levou alguns estudiosos a excluir a tela do catálogo das obras de Gauguin. Mas não existem motivos sérios para manter essas reservas. O próprio Gauguin realizou duas gravuras desta composição (Guérin, n. 45 e n. 46) e um exemplar retocado em aquarela foi incluído no manuscrito de Noa-Noa (p. 73), contendo as lembranças da primeira estada do artista em Taiti. A pobreza do pescador taitiano, como a do pescador de Puvis, remete à pobreza evangélica dos apostólos e dos primeiros cristãos. O quadro foi realizado no mesmo período do Te Tamuri no Atua ( Nascimento do Filho de Deus, Munique, Neue Pinakothek). Camesasca (1989, p. 187) considera a figura do pescador derivada de um relevo egípcio, representando o faraó Sethi I, existente no templo dedicado ao mesmo em Abydos.

— Luciano Migliaccio, 1998


Fonte: Luiz Marques (org.), Catálogo do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand, São Paulo: MASP, 1998. (reedição, 2008).



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