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Na videoinstalação Openings [Aberturas] (2022), Ianni reúne animações produzidas pelos estúdios Walt Disney para aberturas de documentários sobre a América Latina, realizados entre 1941 e 1949 pelo Office of the Coordinator of Inter-American Affairs [Escritório do Coordenador de Assuntos Interamericanos]. Criada pelo governo dos Estados Unidos, a agência tinha como objetivo promover a cooperação interamericana no contexto da chamada “política de boa vizinhança”, ampliando relações políticas, culturais e econômicas e contendo a influência italiana e alemã na região. Embora as aberturas e os títulos dos documentários enfatizem um discurso de solidariedade pan-americana, elas também apresentam os países latino-americanos como fornecedores de mão de obra barata, matérias-primas e mercados consumidores. Combinando entretenimento e pedagogia, os documentários difundem uma imagem da América Latina como culturalmente próxima, porém economicamente subordinada. Ianni nos coloca em contato com o passado, mas de uma maneira absolutamente fincada no presente. Com sua colagem de títulos e aberturas projetada num suporte semelhante a um outdoor, a artista sublinha o caráter de propaganda dos documentários, revelando os padrões visuais e discursivos que sustentam tais representações.
Neste MASP Conversas, a artista se junta à curadora desta edição da Sala de Vídeo, Daniela Rodrigues, para falar sobre o processo de pesquisa e realização da obra. Também serão abordados os aspectos relativos à política norte-americana para a construção de um pan-americanismo, o uso de estratégias culturais para agenciamentos políticos e sociais e as relações deste passado com o presente.
Esta edição do MASP Conversa será realizada presencialmente, com interpretação em Libras, e posterior disponibilização no canal do MASP no YouTube.
Mediação: Daniela Rodrigues
Supervisora de mediação e programas públicos, MASP
Organização: Andressa Samanta, Bruna Fernanda e Daniela Rodrigues
Legenda: Clara Ianni, Openings [Aberturas], 2022
Clara Ianni explora a relação entre história e política a partir de uma perspectiva contemporânea, frequentemente abordando contradições da modernização e mitologias do progresso, especialmente em relação ao Brasil. Por meio de instalações, vídeos, esculturas e desenhos, seu trabalho sugere abordagens críticas às histórias dominantes, estruturas de poder e marcos institucionais, inclusive no campo da arte, ao mesmo tempo que provoca reflexões sobre imaginários alternativos. Gestual e processual, seu trabalho se baseia em pesquisa e desvio.
Suas exposições incluem New Museum Triennial (2021), 34ª Bienal de São Paulo (2021), “Utopia/Distopia – parte I”, MAAT Lisboa, Portugal (2017), Talking to Action / Hablar y Actuar, Los Angeles, EUA (2017), Bienal de Jacarta (2015), 31ª Bienal de São Paulo (2014), Festival Yebisu, Tóquio (2015), 19º Panorama VideoBrasil, 33º Panorama de Arte Brasileira, Museu de Arte Moderna de São Paulo (2013), 12ª Bienal de Istambul, Istambul (2011). Ela também trabalhou como curadora, como no programa “Counteritual” (2016-2017), no âmbito de “O Futuro da Memória – Memória e Esquecimento na América Latina”, com o Goethe-Institut e a Casa do Povo, em São Paulo, e em “Carretera Al Mar” (2018), com o Museu Tertuilla e o Goethe-Institut, em Cali, Colômbia, e como assistente na 7ª Bienal de Berlim (2012). Ela possui bacharelado em Artes Visuais pela Universidade de São Paulo, mestrado em Antropologia Visual e de Mídia pela Freie Universität Berlin e doutorado em Belas Artes pela Universidade de São Paulo.