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Curadorias museológicas: artes e culturas indígenas nas Américas

Horário
19H – 21H
Duração do Módulo
ONLINE
1.8 – 31.8.2023
TERÇAS E QUINTAS
(10 AULAS)
Investimento
PÚBLICO GERAL
5X R$ 96
AMIGO MASP
5X R$ 81,60
*VALORES PARCELADOS NO CARTÃO DE CRÉDITO
Professores
Aristoteles Barcelos Neto
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Solicitação de bolsas para professores * * Apenas rede pública

O curso aborda uma série de experiências curatoriais e de salvaguarda patrimonial das artes indígenas no contexto de museus no Brasil. Essas experiências serão detalhadamente discutidas a partir de trabalhos realizados entre diversos povos ameríndios. Serão enfatizados desenvolvimentos recentes, alguns ainda em progresso, relativos à criação de um ecomuseu indígena na Amazônia, às relações entre as artes indígenas e as artes moderna e contemporânea, à patrimonialização do grafismo kene dos Huni Kuin, e à curadoria indígena e colaborativa das artes desse povo no MASP e no Museu do Índio, no Rio de Janeiro.

IMPORTANTE 
As aulas serão ministradas online por meio de uma plataforma de ensino ao vivo. O link será compartilhado com os participantes após a inscrição. O curso é gravado e cada aula ficará disponível aos alunos durante cinco dias após a realização da mesma. Os certificados serão emitidos para aqueles que completarem 75% de presença.
 

Planos de aulas

Aula 1 – 1.8.2023
Curadoria das artes e cultura material wauja e o Museu Indígena Ulupuwene

A primeira aula analisa a importância e o significado das coleções etnográficas wauja formadas entre 1884 e 2005 e suas relações com os objetivos e desafios do ecomuseu recém-criado pelos Wauja no Alto Xingu, com o apoio de uma equipe de museólogos, antropólogos e arqueólogos do Brasil, Reino Unido e Estados Unidos. Intersecções entre etnografia, museologia indígena e museologia social serão exploradas à luz da cosmopolítica xinguana e ontologia das imagens e dos objetos. 

Aula 2 – 3.8.2023
Curadoria Xikrin-Kayapó
Conferência de Fabíola Silva 

O objetivo desta aula é relatar uma experiência de curadoria colaborativa de uma coleção etnográfica dos Xikrin-Kayapó, refletindo sobre a importância deste tipo de prática curatorial na qualificação dos acervos museológicos. Além disso, pretende mostrar a relevância das coleções etnográficas particulares e musealizadas na construção da memória e história dos povos indígenas. Finalmente, a partir dessa experiência, se pretende trazer uma reflexão sobre os objetos etnográficos em museus, no que se refere às relações dos indígenas com os não-indígenas e com a instituição museológica. 

Aula 3 – 8.8.2023
Curadoria Asurini
Conferência de Fabíola Silva 

Dando continuidade à reflexão sobre os objetos etnográficos em museus, a terceira aula tem como objetivo relatar uma experiência de curadoria colaborativa de uma coleção etnográfica dos Asurini do Xingu, novamente destacando questões pertinentes à qualificação de coleções particulares a serem musealizadas e sua a relevância para a construção da memória e história dos povos indígenas. 

Aula 4 – 10.8.2023
O registro dos padrões gráficos kene pelo IPHAN
Conferência de Els Lagrou

A aula propõe uma reflexão sobre o processo de construção do dossiê para o registro do kene como patrimônio imaterial do povo Huni Kuin. O kene é central na autodefinição huni kuin; tão central que a primeira Federação a representar os interesses políticos do conjunto das comunidades huni kuin que vivem em território brasileiro, a FEPHAC, foi fundada há 17 anos com o explícito objetivo de criar um fórum de discussão para a proteção deste patrimônio, considerado central para a identidade desse povo, que se considera como ‘povo com desenho’, huni keneya. A coautoria deste dossiê sob a coordenação do pesquisador Joaquim Maná Huni Kuin foi uma experiência rica em ensinamentos em torno da construção coletiva de um saber consensual a partir de diferenças de gênero, geracionais e regionais.  

Aula 5 – 15.8.2023
“No Caminho da miçanga”: curadoria colaborativa e constituição de um acervo para o Museu dos Povos Indígenas, Rio de Janeiro 
Conferência de Els Lagrou

Nesta sessão propomos refletir sobre a experiência de curadoria da exposição que surgiu em torno do tema das ‘contas de vidro’ e sua aceitação e incorporação ou não pelas populações indígenas no Brasil e além. O tema da miçanga, item predileto nas trocas entre os viajantes e indígenas desde os primeiros encontros dos colonizadores com os habitantes do chamado Novo Mundo, se revelou ser um conceito relacional por excelência, tanto para explorar a reflexão mítica e narrativa em torno do surgimento dos brancos na vida indígena ou do surgimento da separação entre povos indígenas e brancos, quanto para organizar uma exposição em torno de uma arte corporal indígena contemporânea, na qual a miçanga ganha cada vez mais espaço. Em termos metodológicos a exposição inovou ao trabalhar com equipes compostas por especialistas linguistas e antropólogos em estreita colaboração com pesquisadores e cinegrafistas indígenas e por constituir o acervo a ser exposto para a própria exposição, filmando a produção das peças, assim como a narração dos mitos e o uso ritual, produzindo deste modo uma coleção que já nasceu qualificada.

Aula 6 – 17.8.2023
Curadorias e pesquisa em arte contemporânea indígena
Conferência de Kássia Borges  

Esta aula propõe um encontro entre as culturas indígenas com as estratégias metodológicas das artes visuais, envolvendo a prática curatorial e a pesquisa em arte contemporânea indígena com foco na produção do Movimento dos Artistas Huni Kuin (MAHKU).

Aula 7 – 22.8.2023
Antes do céu cair. Processo criativo e poética visual
Conferência de Kássia Borges

Será proposta uma imersão no processo criativo de Kássia Borges, artista e mulher indígena. Intitulada Antes do céu cair, a aula percorre memórias, lugares e espaços visitados ou imaginados no percurso da artista, empregando uma sintaxe original de contar as histórias vividas e que fazem parte de suas criações. A poética e processos desenvolvidos desde os anos 1980, percorrem a ancestralidade de Kássia Borges e o entendimento do seu ser mulher. A artista propõe entrelaçar paisagens dispersas, remontadas e poéticas. Um relato rítmico das implicações espirituais da pilhagem colonial. As reflexões propostas serão fluidas e transmutarão ideias de maleabilidade espiritual ligadas à terra, céu, ar, mito, lugar e origem.

Aula 8 – 24.8.2023
Relações entre a arte moderna/contemporânea no Brasil e os povos indígenas
Conferência de Ilana Seltzer Goldstein

Essa sessão discutirá entrecruzamentos entre a arte moderna/contemporânea e os povos originários, no Brasil, desde as apropriações modernistas até o protagonismo dos criadores indígenas contemporâneos. Numa primeira parte, serão apresentados artistas não-indígenas que incorporaram ou recriaram temáticas e formas indígenas em suas obras, entre os quais Vicente do Rego Monteiro, Victor Brecheret, Anna Bella Geiger e Ernesto Neto. Em seguida, será analisada a recente e impactante inserção de artistas e curadores indígenas no sistema das artes brasileiro, principalmente nas instituições expositivas, passando por nomes como Denilson Baniwa, Gustavo Caboco, Naine Terena e Glicéria Tupinambá. 

Aula 9 – 29.8.2023
Questões indígenas para a gestão de coleções
Conferência de Luísa Valentini

O patrimônio materializado dos povos indígenas se distribui numa rede extensa e complexa que conecta os territórios indígenas a instituições com diferentes perfis, em caminhos e histórias muito variados. Nesta sessão, contemplaremos essa rede visitando discussões e experiências recentes em diferentes âmbitos de experiências e atuação museológica. Serão compartilhadas referências de iniciativas de memória indígena, com atenção às inovações de seus conceitos e práticas. Serão também mapeadas discussões, questões e soluções desenvolvidas e compartilhadas por equipes em instituições guardiãs de coleções e itens indígenas, em diferentes âmbitos de suas atividades: conservação, documentação, educação patrimonial. 

Aula 10 – 31.8.2023
Direitos indígenas e políticas para coleções relativas a povos indígenas
Conferência de Luísa Valentini

Existe uma pluralidade de acervos e coleções que são do interesse dos povos indígenas no Brasil, por comporem testemunhos de sua presença e de sua história em meio à colonização. Muitos desses acervos ainda não são suficientemente documentados para comporem uma presença efetiva no espaço público, e disponíveis para as próprias comunidades. A construção de políticas para sanar essa defasagem deve ser sensível aos diferentes campos de direitos garantidos aos povos indígenas, desde a Constituição Federal até legislação sobre cultura e patrimônio, e direitos intelectuais e de personalidade.

Coordenação

Aristoteles Barcelos Neto é bacharel em museologia pela Universidade Federal da Bahia (1996), mestre (1999) e doutor (2004) em antropologia social respectivamente pela Universidade Federal de Santa Catarina e Universidade de São Paulo. Professor associado e diretor de curso na Sainsbury Research Unit for the Arts of Africa, Oceania and the Americas da University of East Anglia, Reino Unido. Museólogo no Museu Indígena Ulupuwene do Povo Wauja do Alto Xingu. Recebeu o Prêmio CNPq-ANPOCS de Melhor Tese de Doutorado em Ciências Sociais. Foi pesquisador visitante do CNPq no Collège de France (2007) e da FAPESP na USP (2011-2012) e na Unicamp (2016-2017).
 

Conferencistas

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