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Histórias da Arte Contemporânea

Horário
19H ÀS 21H
Duração do Módulo
ONLINE
TERÇAS-FEIRAS
04.08 a 03.11.2026
14 AULAS
Investimento
PÚBLICO GERAL  5X R$ 384,00
AMIGO MASP  5X R$ 326,40
*VALORES PARCELADOS NO CARTÃO DE CRÉDITO
Professores
Mirtes Marins de Oliveira
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Solicitação de bolsas para professores * * Apenas rede pública


O que vou aprender neste curso?

- As relações entre arte contemporânea e a arte moderna.
- A expansão do campo da arte, que incorpora nos dias atuais outras linguagens. 
- Como artistas de hoje operam a sua prática a partir de problemas específicos e para além da linguagem artística. 
- Compreensão do circuito da arte em funcionamento, com seus agentes e suas relações.
- O importante papel dos museus no estabelecimento e crítica à produção contemporânea. 

O curso parte de um ponto específico e intencionalmente escolhido: o momento em que as vanguardas artísticas europeias formulam suas plataformas político-artísticas e que, em seu desenrolar histórico, passam a ser elaboradas a partir de uma perspectiva organizada pelo Museum of Modern Art (MoMA-NY). A partir do diagrama de 1936, apresentado por Alfred Barr Jr, para a exposição Cubism and Abstract Art, essa visada passa a estabelecer uma narrativa nos dias atuais totalmente revista e confrontada. Assim, os encontros avançam por problemas recorrentes: quem escreve a história da arte e com qual autoridade? O que o olhar europeu chama de primitivo? A que projeto político serve o cubo branco? Quem decide o que é arte e quem determina o que é qualidade positiva? 
O método de trabalho do curso é persistente: cada questão histórica é colocada em relação com obras e artistas contemporâneos que a revisitam, desviam, criticam ou recusam. São, portanto, tensões não resolvidas para o campo artístico. Como operação importante, há amplo e aprofundado fornecimento de bibliografia e textos para leitura extra sala de aula. 
O curso inicia falando do MoMA-NY e finaliza em uma vista ao MASP. Essa rota não é neutra. Tem como significado perguntar, a partir de uma coleção específica e localizada territorialmente, quais histórias foram contadas, silenciadas ou que hoje se localizam em uma arena de disputa. As reflexões descoloniais, que partem da produção teórica latino-americana e africana, não aparecem como capítulo final de uma História da Arte, mas como um lugar que reorganiza e reavalia a estrutura. 

IMPORTANTE |
As aulas serão realizadas online, ao vivo. O link de acesso será enviado aos participantes após a inscrição. O curso será gravado, e cada aula ficará disponível por 30 dias após sua realização. Os certificados serão emitidos para os participantes que atingirem, no mínimo, 75% de presença nas aulas síncronas ou acesso às aulas assíncronas.

Planos de aulas

Aula 1 — 04/08/2026 |  Quem escreve a história da arte?
A partir do estudo dos diagramas sobre o campo artístico elaborados no Museum of Modern Art – NY (MoMA-NY) por Alfred Barr Jr (1936), será apresentada a narrativa consagrada sobre a arte moderna, nos dias de hoje, revisada.  Especial atenção será dada às vanguardas históricas europeias analisadas como plataformas políticas e artísticas: Futurismo, Dadá e Construtivismo. Verificação de artistas e obras que revisitam tais fontes, atualmente: Deyson Gibert, Yael Bartana e Olya Kroytor, entre outros.

Aula 2 — 11/08/2026 | O que é o primitivismo?
Primitivismo europeu como manifestado pelo Cubismo, Expressionismos e Surrealismos. Vanguardas latino-americanas: Muralismo mexicano, Circulo e Quadrado, Estridentismo, Antropofagia, entre outros. Verificação de artistas e obras que revisitam as perspectivas primitivistas e as criticam: Sônia Gomes, Wangechi Mutu, Rashid Johnson, Daniel Boyd, entre outros.

Aula 3 — 18/08/2026 | Quem produzia enquanto a história não olhava?
Produção artística das mulheres em Bauhaus e Vkhutemas. Verificação de artistas e obras que revisitam tais fontes, atualmente: Katarina Burin, Erika Hock, Raisa Kabir, Kalinka Gieseler, Caroline Kynast e Sinta Werner.  Gluklya, Yelena Vorobyeva e Asya Kozima. A retomada atual das práticas têxteis.

Aula 4 — 25/08/2026 | Qual o problema com o cubo branco?
Cubo branco a partir da atuação do MoMA-NY e a influência do museu norte-americanos nos primeiros museus modernos no Brasil: MASP, MAM-SP e MAM-RJ. Verificação de artistas e obras que revisitam operações da crítica institucional: de Hans Haacke, Marcel Broodthaers, Andrea Fraser e Fred Wilson. 

Aula 5 — 01/09/2026 | A arte pode mudar o mundo?
A arte moderna sob regimes autoritários: as exposições de arte degenerada e o papel da arte em regimes autoritários: fascismo e stalinismo. A censura no período da ditadura brasileira e o boicote à Bienal de São Paulo. Verificação de artistas e obras censurados: Artur Barrio, Cybèle Varela, Quissak Júnior, Antonio Manuel, entre outros. Confrontos e contestações políticas em ambientes artísticos: documenta de Kassel, Panorama da Arte Brasileira, Bienal de Veneza, entre outras.  

Aula 6 — 08/09/2026 | Seria o design a arte do mundo industrial?
MoMA-NY e o “Bom Design” durante o período da Guerra Fria como propaganda do mundo capitalista. Verificação de exposições, designers e artistas, projetos e obras relacionados ao campo do design: Charles e Ray Eames, Richard Buckminster Fuller, Herbert Bayer, entre outros. 

Aula 7 — 15/09/2026 | Antimodernos e/ou contemporâneos?
Arte Pop, Arte Conceitual e feminismos anos 1960–70. Feminismos hoje. Verificação de artistas e obras: Martha Rosler, Marta Minujin, Marisol Escobar, Renate Bertlmann, Leticia Parente, Wanda Pimentel, Panmela Castro, entre outras artistas.  

Aula 8 — 22/09/2026 | Quem decide o que vemos? 
A curadoria como prática política: Harald Szeemann, Lucy Lippard, Marcia Tucker, Seth Sieglaub, Kynaston McShine, Frederico Morais e Walter Zanini. A virada educacional na arte e na curadoria: 31ª Bienal de São Paulo (2014). Verificação de curadores e exposições que atuam para a formação e profissionalização do campo curatorial. 

Aula 9 — 29/09/2026 | Como operam as redes, a circulação e as resistências?
Impacto dos meios de comunicação e tecnologias no campo artístico: arte postal, as exposições When Attitudes Become Form (1969), e Information (1970). Artistas e obras que operam essa ênfase: Harun Farocki; Ulises Carrión, Paulo Bruscky, Hito Steyerl, Vitoria Cribb, Cao Fei, entre outros artistas.

Aula 10 — 06/10/2026 | Arte contemporânea?
A partir das experiências das Bienais de Havana e da Bienal da Antropofagia (1998), serão apresentadas perspectivas de reescrita da história por parte de artistas e pensadores não hegemônicos. Pensamento descolonial como prática artística hoje: Sandra Gamarra, com LiMac (Lima Museum of Contemporary Art, fictício); Denilson Baniwa que opera dentro e contra a instituição; Alia Farid, memória colonial e apagamento.
 
Aula 11 — 13/10/2026 | Como falam e resistem os corpos, arquivos e territórios? I
O encontro apresenta uma problemática atual que tem impacto nas reflexões e práticas artísticas e curatoriais: a questão colonial e/ou neocolonial. Revisita artistas e práticas artísticas atuais e suas conexões históricas: Cecilia Vicuña, Kapwani Kiwanga, Adriana Varejão, Maxwell Alexandre, entre outros.

Aula 12 — 20/10/2026 | Como falam e resistem os corpos, arquivos e territórios? II
O encontro apresenta uma problemática atual que tem impacto nas reflexões e práticas artísticas e curatoriais: a questão colonial e/ou neocolonial. Revisita artistas e práticas artísticas atuais e suas conexões históricas: Minerva Cuevas, Theresa Hak Kyung Cha, Seba Calfuqueo, Grada Kilomba, entre outros. 

Aula 13 — 27/10/2026 |  Um olhar sobre o circuito artístico: será que tudo é mercado?
O encontro vai analisar as relações entre os agentes do circuito e seus modos de funcionamento: artistas, galerias, feiras, museus, bienais em relações.  Práticas curatoriais e artísticas nos dias atuais: formação e profissionalização.

Aula 14 — 03/11/2026 Ler uma coleção: exercícios de interpretação. 
Visita à exposição Acervo em Transformação do MASP, explorando conceitos e conteúdos explicitados ao longo do curso.

 

Coordenação

Mirtes Marins de Oliveira é Doutora em Educação: História e Filosofia e Pesquisadora olaboradora na Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (2020–2025). Coordena a pós-graduação em Design da Universidade Anhembi Morumbi. Atua como curadora, com destaque para exposições como Contra o estado das coisas – anos 70 (2014), Especular (2018) e Comigo ninguém pode (2019), na Galeria Jaqueline Martins; Arte para todos! Liberação e Consumo (Instituto Figueiredo Ferraz, 2016); Não um sonho (Galeria Simões de Assis, 2021); Máscaras: Fetiches e Fantasmagorias (Paço das Artes, 2021–2022) e Justiça de transição não é transação: a brutalidade e o jardim (Memorial do Ministério Público – RJ, 2023), esta última como co-curadora. Foi coeditora da revista Marcelina (2008–2012), participou como autora do livro Cultural Anthropophagy: The 24th Bienal de São Paulo 1998, da coleção Exhibition Histories (Afterall, 2015), e coorganizou o livro Histórias das exposições: casos exemplares (EDUC, 2016). É também autora do ensaio The body and the opus as a witness of times, sobre Letícia Parente, publicado em The Feminist Avant-Garde. Art of the 1970s (2017), organizado por Gabriele Schor. Em 2024, lançou o livro Gretta Sarfaty, pela Act Editora. 

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