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Histórias da Arte na América Latina

Horário
19H ÀS 21H
Duração do Módulo
ONLINE
QUINTAS-FEIRAS
06.08 A 05.11.2026
14 AULAS
Investimento
PÚBLICO GERAL  5X R$ 384,00
AMIGO MASP  5X R$ 326,40
*VALORES PARCELADOS NO CARTÃO DE CRÉDITO
Professores
Luise Malmaceda
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Solicitação de bolsas para professores * * Apenas rede pública


O que vou aprender neste curso?

- 1° A arte latino-americana a partir do século 20 como agente de transformação social e política.
- 2° Análise sobre como a arte confronta o legado colonial e as desigualdades estruturais.
- 3° Estudo de processos históricos por meio de práticas artísticas que tensionaram instituições.
- 4° Discussão sobre as redes de intercâmbio e solidariedade regional, e a intervenção da arte em debates públicos, culturais e de memória.
- 5° Investigação de obras de diversos países latino-americanos que dialogam com lutas sociais.

O curso aborda a arte da América Latina a partir da segunda metade do século 20, destacando obras e projetos que disputaram imaginários políticos e impulsionaram transformações sociais. A partir de uma abordagem comparativa, examinaremos temas que atravessam as formações históricas e culturais do continente, observando como artistas têm enfrentado o legado colonial e suas persistências nas desigualdades estruturais da região. Analisaremos processos comuns, das lutas anti-imperialistas e ditaduras militares às atuais reivindicações por justiça social, por meio de práticas que tensionaram os limites das instituições, das vanguardas modernistas às ações coletivas recentes, ocupando ruas, arquivos, corpos, mídias e circuitos comunitários. O curso também discute as redes de intercâmbio e solidariedade que moldaram uma imaginação regional, bem como os modos pelos quais a arte intervém nos debates públicos, influenciando políticas culturais e de memória. A partir de casos do México, Argentina, Cuba, Chile, Uruguai, Peru, Venezuela, Brasil e Colômbia, investigaremos obras que dialogam diretamente com lutas sociais, feminismos, movimentos indígenas e mobilizações LGBTQIA+, buscando compreender como a arte opera como ferramenta crítica, ética e prefigurativa no contexto latino-americano.

IMPORTANTE |
As aulas serão realizadas online, ao vivo. O link de acesso será enviado aos participantes após a inscrição. O curso será gravado, e cada aula ficará disponível por 30 dias após sua realização. Os certificados serão emitidos para os participantes que atingirem, no mínimo, 75% de presença nas aulas síncronas ou acesso às aulas assíncronas.

Planos de aulas

Aula 1 — 06/08/2026 | América Latina: território comum?
Iniciaremos com uma reflexão crítica sobre as tensões entre identidade, colonialidade e projetos de emancipação coletiva na formação do imaginário latino-americano. A partir desse panorama, discutiremos como o muralismo mexicano se consolidou como um dos primeiros e mais potentes exemplos de articulação entre Estado, arte pública e transformação social, influenciando gerações de artistas na região.
Estudos de caso: Diego Rivera, David Alfaro Siqueiros, José Clemente Orozco.

Aula 2 — 13/08/2026 | Arte Cinética
Examinaremos a emergência da arte cinética e óptica no diálogo entre Paris e a América Latina, destacando como os artistas questionaram a autonomia da obra ao incorporar movimento, participação e percepção ativa do público. A aula discute o papel dos grupos experimentais e a redefinição do espectador como protagonista.
Estudos de caso: GRAV, Julio Le Parc, Carlos Cruz-Diez, Jesús Soto, Alejandro Otero.

Aula 3 — 20/08/2026 |  Vanguardas e insurgências políticas
Investigaremos práticas artísticas alinhadas a projetos revolucionários e a reconfiguração do campo cultural latino-americano após a Revolução Cubana. O foco será compreender como a arte se tornou ferramenta de mobilização simbólica e disputa ideológica em diversos países, articulando estética e militância.
Estudos de caso: Claudio Tozzi, Luis Felipe Noé, René Mederos.

Aula 4 — 27/08/2026 | León Ferrari: crítica e dissenso
A aula examina o percurso de León Ferrari como figura central da arte política na Argentina, analisando sua crítica às instituições religiosas e estatais, bem como as tensões públicas que marcaram sua recepção. Abordaremos em especial a censura de sua exposição no Centro Cultural Recoleta em 2005, discutindo a permanência da violência simbólica na democracia.

Aula 5 — 03/09/2026 | Arte e Revolução no Chile (1970–1973)
Palestrante convidada: Luiza Mader Paladino
Tomando como ponto de partida o exílio de Mário Pedrosa no Chile durante o governo da Unidade Popular, examinaremos as principais iniciativas culturais do período e sua articulação com o projeto socialista chileno. A aula discute a contribuição crítica de Pedrosa, a construção de redes internacionais de solidariedade artística e o papel da cultura na imaginação de um socialismo democrático.
Estudos de caso: Museo de la Solidaridad, Tren Popular de la Cultura, COCEMA, Instituto de Arte Latinoamericano, Nosotros los chilenos, Quimantú.

Aula 6 — 10/09/2026 |  Arte e resistência nas ditaduras do Cone Sul
Analisaremos as estratégias visuais produzidas diante da repressão estatal, incluindo práticas conceituais, ações colaborativas e gestos clandestinos que desafiaram o silêncio imposto pelos regimes militares. A aula discute como artistas transformaram limitação em linguagem e criaram repertórios simbólicos de resistência.
Estudos de caso: Cecilia Vicuña, Grupo CADA, Siluetazo.

Aula 7 — 17/09/2026 | Fotografia e insubordinação: imagem como prova e denúncia
Debateremos o papel da fotografia como evidência, denúncia e documento histórico em contextos de censura. Focaremos nas operações subterrâneas que preservaram arquivos sensíveis, nos modos de circulação dessas imagens e no papel da fotografia na defesa da democracia e dos direitos humanos.
Estudos de caso: Evandro Teixeira, Asociación de Fotógrafos Independientes de Chile, Aurelio González.

Aula 8 — 24/09/2026 |  Redemocratização: pensar o passado recente
A aula discute como artistas enfrentaram a tarefa de elaborar memórias traumáticas e disputar narrativas sobre ditadura, violência estatal e transições democráticas. Analisaremos projetos que trabalham com justiça simbólica, luto civil, memória coletiva e crítica institucional.
Estudos de caso: Grupo de Arte Callejero, Lucila Quieto, Alfredo Jaar, Marcelo Brodsky.

Aula 9 — 01/10/2026 | O giro crítico da história colonial
O dia 12 de outubro de 1992, no México, tornou-se um marco de contestação ao ser palco de intensos protestos contra as celebrações dos 500 anos da chegada de Colombo à América. O período revela não apenas o confronto direto às narrativas comemorativas da colonização, mas também o fortalecimento de um conjunto expressivo de artistas que, a partir dessa década, passa a revisitar criticamente os legados materiais e simbólicos do capitalismo racializado nas Américas. Suas obras evidenciam como esses legados persistem na forma de exclusões, violências estruturais e disputas pela memória.
Estudos de caso: Coco Fusco, Sandra Gamarra, María Magdalena Campos-Pons, Liliana Angulo Cortés, Rosana Paulino.

Aula 10 — 08/10/2026 | Poéticas da memória: arte e reparação simbólica na Colômbia
Examinaremos práticas artísticas que abordam os efeitos do conflito armado colombiano e que contribuem para processos de memória, reparação e reconciliação. A aula discute como artistas elaboram o trauma coletivo e participam de debates públicos em torno do acordo de paz, deslocando fronteiras entre arte, justiça e comunidade.
Estudos de caso: Doris Salcedo, Mapa Teatro, Oscar Muñoz.

Aula 11 — 15/10/2026 | Fabulações amazônicas: identidades visuais transfronteiriças entre Peru e Brasil 
Professora convidada: Anna Claudio
Percorremos a região amazônica, de bordas, conexões e tensões, interpretada por artistas contemporâneos do Peru e do Brasil que compartilham o rio Amazonas, plantas, animais, mitos e lendas.  A aula discutirá as interseções entre a crítica socioambiental, as artes e o ativismo, refletindo sobre como os ambientes natural, sobrenatural e virtual contribuem para a criação artística local. O objetivo é analisar de que modo esses artistas imaginam o território contemporâneo, entendendo a floresta como um arquivo vivo de memória e de produção de sentidos para a manutenção da vida.
Estudos de caso: Chonon Bensho, Christian Bendayan, Brus Rubio, Denilson Baniwa, Coletivo MAHKU (Movimento dos Artistas Huni Kuin).

Aula 12 — 22/10/2026 | Arte e território: práticas artísticas contra o extrativismo
Serão discutidas obras que confrontam o extrativismo, denunciam a exploração de territórios e defendem a preservação de recursos naturais, em diálogo com saberes indígenas e formas de memória comunitária. O encontro explora como artistas constroem contra-narrativas visuais e poéticas que tensionam noções de progresso, desenvolvimento e modernidade, propondo outras formas de relação entre natureza e território.
Estudos de caso: Claudia Andujar, Juan Downey, Carolina Caycedo, Francisco Huichaqueo Pérez.

Aula 13 — 29/10/2026 | O corpo é político: feminismos e lutas por emancipação 
Entre 1960 e 1980, artistas mulheres passaram a reivindicar sua própria representação e a desafiar o olhar patriarcal, articulando práticas de emancipação política e simbólica. A partir de abordagens críticas e quantitativas sobre desigualdade de gênero no sistema da arte, a aula apresenta o feminismo como uma pedagogia capaz de reconfigurar relações sociais e epistemológicas.
Estudos de caso: Marta Minujín, Ana Mendieta, Maris Bustamente, Letícia Parente. 

Aula 14 — 05/11/2026 | Passado prefigurativo: arquivos e acervos dissidentes
Encerramos com uma reflexão sobre arquivos como ferramentas de imaginação social, analisando iniciativas que recuperam histórias invisibilizadas para reconfigurar o futuro. A aula discute práticas curatoriais, memoriais alternativos e formas de organizar acervos que desafiam normas institucionais.
Estudos de caso: Archivo de la Memoria Trans Argentina, Museo Travesti del Perú, Zumví Arquivo Afro-Fotográfico da Bahia.

Coordenação

Luise Malmaceda é pesquisadora, professora e curadora. Doutora em Culturas Latino-Americanas e Ibéricas pela Columbia University (Nova York), onde também atuou como docente em estudos brasileiros entre 2021 e 2024. Sua pesquisa articula cultura visual, teoria crítica e estudos da memória, com foco em práticas artísticas coletivas e imaginação política na América Latina desde os anos 1960. Sua trajetória cruza atuação acadêmica e curatorial nas Américas e na Europa, com apoio de instituições como o Museu d’Art Contemporani de Barcelona, Columbia University, Society of Fellows e Heyman Center for the Humanities, The Latinx Project. Foi pesquisadora visitante na Universidade do Chile (2024) e na Universidade de Buenos Aires (2025), onde integra o Grupo de Estudos em Arte, Cultura e Política na Argentina Recente. No Brasil, colaborou com instituições como MASP, MAM-SP, MAC-USP, MUPA, Fundação Iberê Camargo e Instituto Tomie Ohtake, onde foi curadora associada (2016–2020). É co-autora de AI-5 50 anos: ainda não terminou de acabar (2019), vencedor do Prêmio Jabuti na categoria Artes.

Conferencistas

Ana Luiza de Abreu Claudio é doutoranda em Culturas Latino-Americanas e Ibéricas na Columbia University (EUA), onde pesquisa artes visuais amazônicas, mídia e imaginários geopolíticos, com foco nas poéticas amazônicas e na floresta como arquivo vivo. Jornalista (UFV) e mestre em Ciências Sociais (UFRRJ), possui experiência acadêmica e profissional em curadoria, cultura visual e gestão de projetos em instituições como UNESCO e Instituto Moreira Salles.

Luiza Mader Paladino Doutora e mestra em Teoria e História da Arte pela Universidade de São Paulo. Sua tese intitulada: A opção museológica de Mário Pedrosa: Solidariedade e Imaginação social em Museus da América Latina foi premiada pelo Comitê Brasileiro de História da Arte. Como bolsista Santander, realizou o curso 'Repensar el Museo', na Universidad Complutense de Madrid. Desde 2013, dedica-se à pesquisa sobre arte e crítica na América Latina. É professora efetiva do Instituto Federal de Brasília.

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