MASP

Giovanni Pittoni

Dionísio e Ariadne, 1730-35

  • Autor:
    Giovanni Pittoni
  • Dados biográficos:
    Veneza, Itália, 1767-Veneza, Itália ,1767
  • Título:
    Dionísio e Ariadne
  • Data da obra:
    1730-35
  • Técnica:
    Óleo sobre tela
  • Dimensões:
    72 x 53,5 x 3 cm
  • Aquisição:
    Doação Henryk Spitzman-Jordan, 1949
  • Designação:
    Pintura
  • Número de inventário:
    MASP.00036
  • Créditos da fotografia:
    João Musa

TEXTOS



Dentre as várias fontes do mito, as principais são as Epítome de Apolodoro e a Vida de Teseu de Plutarco. Filha de Minos e de Pasífae, Ariadne, apaixonada por Teseu, elabora o famoso estratagema que permite ao herói escapar do labirinto após matar o Minotauro. Para escapar da cólera de Minos, Ariadne foge em seguida com Teseu, que a abandona adormecida na ilha de Naxos. Surge então com seu séquito Dioniso, que a desposa e a leva para o Olimpo, dando-lhe como presente de núpcias um diadema de ouro, obra de Hefesto, diadema que se transformou em seguida na constelação de Ariadne. Aludindo provavelmente a esta ulterior metamorfose, Pittoni substitui o diadema por uma coroa de estrelas. Há duas outras versões autógrafas do quadro Dioniso e Ariadne do Masp na Staatsgalerie de Stuttgart e na Pinacoteca Brera de Milão (adquirida em 1955, Dell’Acqua, Russoli 1960, p. 45, fig. 159). As versões de São Paulo e de Milão, por suas pequenas e idênticas dimensões e por sua maior liberdade de fatura em relação à de Stuttgart, parecem fornecer a esta última o bozzetto ou o modelletto. Após uma primeira publicação da obra como sendo de Amigone por Modigliani (1924), ela foi conduzida ao catálogo de Pittoni por Pallucchini (1960, p. 118, fig. 302), para quem “Pittoni realiza nesta pintura uma graça que parecia característica apenas de Amigone. Nasce assim aquele allegretto pittoniano arguto, por vezes malicioso e tagarela, ao mesmo tempo audazmente vivaz e miúdo, que, embora não chegando a profunda comoção figurativa, tem uma coerência própria. Vai-se concretizando a mímica pittoniana, sempre mais agitada, melodramática e teatral, baseada em sutis movimentos fisionômicos e gestos das mãos. Perfis fugidios e faunianos, três quartos inclinados, narizes arrebitados e pontiagudos, mãos rápidas e articuladas em um jogo muito denso, são elementos representados com um senso plástico e linear verdadeiramente insólito para a arte veneziana”. A obra do Masp parece inaugurar de fato um momento de inflexão estilística importante em Pittoni, por volta do início do quarto decênio, por influência de Ricci (Arslan 1951), e em benefício de uma paleta mais clara, menos dramática em seus efeitos de claro-escuro, de uma ambientação mais cenográfica e de mutações coadunantes com as que vinham se operando na própria história do gosto e que triunfariam com o rococó.

— Autoria desconhecida, 1998


Fonte: Luiz Marques (org.), Catálogo do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand, São Paulo: MASP, 1998. (reedição, 2008).



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