MASP

Rosalvo Ribeiro

Interior com duas crianças, 1899

  • Autor:
    Rosalvo Ribeiro
  • Dados biográficos:
    Maceió, Brasil, 1865-1915
  • Título:
    Interior com duas crianças
  • Data da obra:
    1899
  • Técnica:
    Óleo sobre tela
  • Dimensões:
    60,4 x 49,5 x 2 cm
  • Aquisição:
    Doação Álvaro de Carvalho, Geraldo Ourívio, 1947
  • Designação:
    Pintura
  • Número de inventário:
    MASP.00298
  • Créditos da fotografia:
    MASP

TEXTOS



Uma delicada e comovenete cena de interior doméstico para esse período de recolhimento. O alagoano Rosalvo Ribeiro (1865-1915) vivia na França quando pintou Interior com duas crianças (1899). Formado pela Academia Imperial de Belas Artes do Rio de Janeiro, o artista recebeu uma bolsa de viagem a Paris em 1888. Lá, o pintor frequentou a Académie Julien, por onde também passaram outros artistas brasileiros como Benedito Calixto e Eliseu Visconti. Na época, era comum que os artistas que aqui se destacavam recebessem bolsas como essa a fim de aprimorarem seus conhecimentos técnicos na Europa. Chamamos de arte acadêmica esse modelo estético ligado às Academias, que, na pintura, se traduzia especialmente em termos técnicos e na representação de temas tradicionais como marcos históricos, passagens religiosas, paisagens, retratos, naturezas-mortas. A pintura de gênero, que apresentava cenas da vida cotidiana, também era um assunto frequente. Normalmente situadas em ambientes domésticos, as cenas corriqueiras representadas nesse tipo de pintura se diferenciam pelos detalhes – no caso de Interior com duas crianças, Ribeiro ilustra com delicadeza e detalhamento os objetos acima da lareira: um crucifixo, uma lamparina, o retrato de um santo, o reflexo nos jarros de vidro. Nos simples gestos dos personagens na cena, a menina observa quieta o garoto brincar com o que parece ser uma miniatura de barco a vela. Virado de costas, não vemos seu rosto. Em contraste, em meio à penumbra, o que nos cativa são os olhos atentos da menina.

— Equipe curatorial MASP, 2020






Mais do que revelar o interesse do artista pelo revival dos interiores obscuros holandeses, à maneira de Ostade e outros, que haviam sensibilizado muitos pintores franceses do século XIX, a obra do autor pode ser situada no âmbito preciso da voga, ocorrida na passagem do século, de retratar interiores arcaicos de casas da Bretanha. Muito próximo deste belo interior de Rosalvo é, por exemplo, o Intérieur Breton de Germain David-Nillet (1861-1932), conservado no Musée du Petit Palais, em Paris (Inv. 302).

— Autoria desconhecida, 1998


Fonte: Luiz Marques (org.), Catálogo do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand, São Paulo: MASP, 1998. (reedição, 2008).



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