MASP

François-Hubert Drouais

O duque de Berry e o conde de Provença quando crianças, 1757

  • Autor:
    François-Hubert Drouais
  • Dados biográficos:
    Paris, França, 1727-Paris, França ,1775
  • Título:
    O duque de Berry e o conde de Provença quando crianças
  • Data da obra:
    1757
  • Técnica:
    Óleo sobre tela
  • Dimensões:
    97 x 129 x 4,5 cm
  • Aquisição:
    Compra, 1958
  • Designação:
    Pintura
  • Número de inventário:
    MASP.00054
  • Créditos da fotografia:
    João Musa

TEXTOS



François-Hubert Drouais fez parte de uma linhagem de pintores da Coroa francesa, à qual pertenceram seu pai, o também pintor Hubert Drouais (1699-1767), e seu filho, Jean Germain (1763-1788). Conhecido pelos retratos de aristocratas posando com vestimentas suntuosas em ambientes ricamente adornados, Drouais tornou-se retratista oficial da corte de Luís XV no final da década de 1750, substituindo Jean-Marc Nattier (1685-1766). A representação de crianças, frequentemente inseridas em paisagens e jardins, também era uma marca do artista, como é o caso da pintura pertencente à coleção do MASP. Nela estão representados os netos de Luís XV (1710-1774), rei da França: o duque de Berry, futuro Luís XVI (1754-1793); que seria decapitado pelos revolucionários em 1793, e o conde de Provença, futuro Luís XVIII (1755-1824), que subiria ao trono depois do período napoleônico. Há, nesta obra, uma clara intenção cortesã: retratados numa paisagem idílica, os dois meninos representariam um futuro promissor para a França, destinados a trazer ao país uma nova primavera, uma nova Idade do Ouro.

— Equipe curatorial MASP, 2017


Fonte: MASP: Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand, São Paulo: Instituto Cultural J. Safra, 2017. (Coleção museus brasileiros)




Por Luciano Migliaccio
A obra foi encomendada pelo filho de Luís XV, morto antes de subir ao trono, e retrata seus dois filhos: o duque de Berry, futuro Luís XVI, decapitado em 1793, e o conde de Provença, futuro Luís XVIII. Os dois príncipes trazem o cordão da Ordem do Espírito Santo. O menor, de dois anos de idade, brinca com o seu cachorrinho, e o outro, um ano mais velho, segura um cesto que enche de maçãs, pêssegos e uvas. Considera-se O Duque de Berry e o Conde de Provença quando Crianças um dos momentos mais importantes da carreira de Drouais. Com efeito, sua encomenda ao artista que, na época, tinha apenas 30 anos e ainda não fora aceito pela Academia (sua nomeação oficial ocorrerá em 1758), representou sua consagração e tornou-o conhecido na capital. Sabemos que o rei solicitou ao artista três cópias deste retrato (Engerand 1900, pp. 166-167). As figuras de Drouais, que se inserem numa paisagem arcádica, carregada de referências literárias, criam um verdadeiro gênero no interior da retratística da época. Suas personagens têm hábitos de pastores ou de camponeses, inspiradas em um folclore convencional que não abre mão da elegância, das roupas de seda e veludo, das fitas e perucas, adereços típicos da nobreza. A verdadeira especialidade do pintor foram retratos de crianças nos quais são omitidas as marcas da classe social e a ingenuidade da infância opõe-se à do povo. Camesasca (1988) identifica no quadro do Masp, pela rigidez da pose das figuras em contraste com a minuciosa descrição da riqueza das roupas, uma ingenuidade intencional e irônica que parece sorrir das pompas do passado barroco. Para Aguilar (1991), Drouais empresta às duas crianças uma luminosidade que sugere o brilho das taças de cristal das naturezas-mortas de Wilhelm Kalf. A obra de Drouais, pela caraterização psicológica das crianças, pode ser considerada uma importante etapa no interesse moderno pela retratística da infância.

— Luciano Migliaccio, 1998


Fonte: Luiz Marques (org.), Catálogo do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand, São Paulo: MASP, 1998. (reedição, 2008).



Pesquise
no Acervo

Filtre sua busca