Desde muito cedo, Lawrence se destacou pela qualidade de suas pinturas. Prestigiosas encomendas, como o retrato do duque de York (1763-1827) ou ainda da rainha Charlotte da Inglaterra (1766-1828), confirmariam sua
reputação como artista. Depois da morte de Joshua Reynolds (1723-1792), um dos mais prestigiosos pintores de sua geração, Lawrence o substituiu como pintor oficial da corte. Em 1815, George IV (1865-1936), então rei
do Reino Unido, concedeu-lhe um título de nobreza, e o pintor seguiu viagem pela Europa para retratar os chefes de Estado e líderes militares aliados. Em seguida, tornou-se presidente da Academia Real Inglesa, mais
importante instituição de ensino de artes no Reino Unido. Se os retratos de Lawrence se situam na continuidade de Gainsborough (1727-1788) e Reynolds, ele se distingue dessa geração pela textura brilhante de sua
pintura e pelo tratamento mais sensual da cor que remete às obras de Rubens (1577-1640) ou Van Dijk (1599-1641), referências importantes para o pintor inglês. A composição teatral da pintura do MASP é característica
das obras de Lawrence. Três crianças posam no que parece ser um palco de teatro, enquadrado por uma cortina vermelha, cujo fundo se abre para uma paisagem natural. Se as duas crianças mais jovens encaram diretamente
o espectador, a filha mais velha pousa uma mão despretensiosamente sobre um perdigueiro.
O quadro Os Filhos de Sir Samuel Fludyerretrata os três filhos de Sir Samuel Fludyer, 2º baronete: Samuel (1800-1876), mais tarde 3º baronete; Maria, mais tarde Mrs. Brownlow Charles Warren (1803-1884), e Caroline Louisa, mais tarde Mrs. Cobbett Derby
(1798-1888).
Camesasca sublinha justamente o caráter teatral da composição, notando também sua ambigüidade cenográfica e a tensão daí derivante, que em todo o caso se desanuvia na mais pura mundanalidade. O estupendo cão sob os
braços de Maria é, como ressalta ainda o historiador italiano, digno de Rubens e de Van Dyck. Este triplo retrato não é de 1800-1805, como propõe Camesasca (1987, p. 152), mas precisamente do ano seguinte, pois em
seu
Diary, registro fundamental da pintura inglesa e da vida da Royal Academy desde 1792, Joseph Farington dá notícia de sua realização em 13 de setembro de 1806 (Garlick 1989, n. 303).