MASP

Hugo Calgan

Praça XV de Novembro, Rio de Janeiro, Sem data

  • Autor:
    Hugo Calgan
  • Dados biográficos:
    Berlim, Alemanha, 1852-?
  • Título:
    Praça XV de Novembro, Rio de Janeiro
  • Data da obra:
    Sem data
  • Técnica:
    Óleo sobre tela
  • Dimensões:
    96 x 81 cm
  • Aquisição:
    Comodato MASP B3 – BRASIL, BOLSA, BALCÃO, em homenagem aos ex-conselheiros da BM&F e BOVESPA
  • Designação:
    Pintura
  • Número de inventário:
    C.01223
  • Créditos da fotografia:
    MASP

TEXTOS



Artista viajante, Hugo Calgan esteve no Brasil nas décadas de 1870 e 1880, passando pelos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, onde realizou aquarelas, guaches e óleos. Em seus trabalhos, destacam-se o conhecimento técnico do desenho, além da habilidade de construir, pitorescamente, e de acordo com esse gênero literário e visual, os personagens e as cenas locais. Representou a arquitetura rural e urbana e meios de transportes (cavalos, charretes, carruagens) do período. Em Praça XV de Novembro, Rio de Janeiro (1870), veem-se personagens como carregadores de mercadorias, cavalgadores, vendedores e compradores — alguns solitários, outros em grupo —, e sistemas de transporte, como bondes movidos a burro e carroças. A importante praça do Rio de Janeiro aparece gradeada e repleta de diferentes tipos de vegetação. Notam-se, ao fundo, as igrejas Nossa Senhora do Monte do Carmo, em ocre, à direita, e, à sua esquerda, a Nossa Senhora do Carmo da Antiga Sé. Observa-se também, à direita, o Hotel de France, revelando a influência francesa sobre o imaginário urbano carioca já no século 19. Ademais, até meados da década de 1770, a praça Quinze de Novembro fora o principal ponto de desembarque de escravizados africanos na cidade, quando foi substituída pelo cais do Valongo. Um século depois, veem-se nessa composição de Calgan mulheres e homens negros, provavelmente escravizados. Eles desempenham as atividades “típicas”: são quitandeiras, escravizados de ganho, escravizadas domésticas. Mas o que mais chama a atenção é a maneira como Calgan desenha a população brasileira, de forma geral, como morena ou mestiçada, com exceção, entre outros personagens, da senhora protegida por uma sombrinha, seguida por sua ama doméstica, também negra.

— Guilherme Giufrida, assistente curatorial, MASP, 2018


Fonte: Adriano Pedrosa, Guilherme Giufrida, Olivia Ardui (orgs.), Da Bolsa ao Museu – comodato MASP B3: arte no Brasil, séculos 19 e 20, São Paulo: MASP, 2018.



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