MASP

João Baptista Castagneto

Uma salva em dia de grande gala na Baía do Rio de Janeiro, 1887

  • Autor:
    João Baptista Castagneto
  • Dados biográficos:
    Gênova, Itália, 1851-Rio de Janeiro, Brasil ,1900
  • Título:
    Uma salva em dia de grande gala na Baía do Rio de Janeiro
  • Data da obra:
    1887
  • Técnica:
    Óleo sobre tela
  • Dimensões:
    75 x 150 x 3 cm
  • Aquisição:
    Doação Mário de Oliveira, 1949
  • Designação:
    Pintura
  • Número de inventário:
    MASP.00296
  • Créditos da fotografia:
    João Musa

TEXTOS



Castagneto seguiu a profissão de marinheiro do pai, com quem foi viver no Rio de Janeiro, em 1874. Estudou com Victor Meirelles (1832-1903) e Georg Grimm (1846-1887) na Academia Imperial de Belas Artes, onde ingressou em 1876, burlando a regra da idade máxima para inscrição na escola. Referia‑se a si mesmo como um mero “pintor de botes”, pintando paisagens marinhas, muitas vezes a partir de um ateliê improvisado em um barco. Suas pinturas eram feitas pelo empastamento da tinta óleo espalhada de forma ágil em largas pinceladas, em telas ou suportes rígidos, frequentemente tampas de caixas de charuto. Essa produção representou uma atitude renovadora na pintura brasileira, introduzindo uma paisagem mais sensível, intuitiva e moderna. A obra Uma salva em dia de grande gala na baía do Rio de Janeiro (1887) foi centro de uma das polêmicas que marcaram sua relação conturbada com a Academia. Trata-se de um dos projetos mais ambiciosos do artista, o que não o livrou, porém, de ter seu ingresso recusado na coleção da Escola Nacional de Belas Artes, por desrespeitar os valores difundidos pelos acadêmicos.

— Equipe curatorial MASP, 2017





O quadro Uma Salva em Dia de Grande Gala na Baía do Rio de Janeiro representa o imperador do Brasil, D. Pedro II, partindo em viagem à Europa, no dia 30 de junho de 1887, a bordo do paquete Gironde, acompanhado pelos encouraçados Aquidaban e Riachuelo. No momento em que o navio do soberano aporta na ilha Rasa, os marinheiros sobem às enxárcias e saúdam o imperador, enquanto as baterias disparam vinte e um tiros. Trata-se da maior tela pintada pelo artista em toda a sua carreira, que almejava com esta os favores e a aquisição da obra pela Academia, com o fito de subvencionar “viagem que tenciona fazer à Itália a fim de aperfeiçoar-se na arte de que recebeu as primeiras lições na Academia do Rio de Janeiro”, conforme palavras do próprio artista, citadas por Maciel Levy. A obra é recusada pela instituição, não sem uma apreciação muito desfavorável, o que produz sobre o moral do artista um efeito muito adverso. A tela é exposta na Glace Élégante, desencadeando uma violenta controvérsia entre os críticos dos jornais Diário Ilustrado e Revista Ilustrada, analisados e transcritos por Maciel Levy (1982, pp. 32-33).

— Autoria desconhecida, 1998


Fonte: Luiz Marques (org.), Catálogo do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand, São Paulo: MASP, 1998. (reedição, 2008).



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