MASP

Alberto da Veiga Guignard

Vaso com flores, 1950

  • Autor:
    Alberto da Veiga Guignard
  • Dados biográficos:
    Nova Friburgo, Rio de Janeiro, Brasil, 1896-Belo Horizonte, Brasil ,1962
  • Título:
    Vaso com flores
  • Data da obra:
    1950
  • Técnica:
    Óleo sobre madeira
  • Dimensões:
    50 x 40 cm
  • Aquisição:
    Comodato MASP B3 – BRASIL, BOLSA, BALCÃO, em homenagem aos ex-conselheiros da BM&F e BOVESPA
  • Designação:
    Pintura
  • Número de inventário:
    C.01190
  • Créditos da fotografia:
    MASP

TEXTOS



O pintor e professor Alberto da Veiga Guignard trabalhou sobre os três temas clássicos da pintura: paisagens, retratos e naturezas-mortas. Nesse último conjunto, há representações de pratos com peixes inteiros, de mesas postas com recipientes, legumes e frutas, e também de vasos com flores. Esse tema revela o caráter decorativo de parte — muito valorizada, vale mencionar — da obra do artista. Em Vaso com flores (1950), vê-se, ao centro e preenchendo a maior parte da superfície, um vaso amarelo ornado com uma diversidade floral de copos-de-leite, margaridas e outras flores alaranjadas, violetas e vermelhas em menor destaque, além das folhagens. Ao fundo, surge uma complexa padronagem geometrizada, composta pela toalha de mesa branca com listras vermelhas e pretas, o fundo preto com bolinhas brancas, e o papel de parede, quadriculado em amarelo e marrom. A mescla de estamparias ao fundo soma-se à intensa diversidade floral, que aparece tanto como ornamento quanto como padrão decorativo em meio aos outros elementos dessa obra. Apesar da saturação e complexidade de cores do quadro, destaca-se a delicadeza da pintura das pétalas das margaridas em primeiro plano, figuradas em brancos sutis quase transparentes, que permitem a visualização de outras flores que compõem o volume do buquê.

— Guilherme Giufrida, assistente curatorial, MASP, 2018


Fonte: Adriano Pedrosa, Guilherme Giufrida, Olivia Ardui (orgs.), Da Bolsa ao Museu – comodato MASP B3: arte no Brasil, séculos 19 e 20, São Paulo: MASP, 2018.




Por Guilherme Giufrida
Como antropólogo e curador, me interesso muito pela vida dos objetos. É fascinante ver as imagens da chegada das primeiras obras ao MASP no início da formação do acervo — a descida do avião, a recepção no porto, a foto estampada nos jornais, como celebridades. Meu primeiro trabalho na curadoria do museu foi na mostra Da bolsa ao museu, Comodato MASP B3, por ocasião do empréstimo por 30 anos de 65 obras pertencente às Bolsas de Valores, reunidas na B3. Várias pinturas de alguns ícones da arte brasileira do século 20, como Anita Malfatti, Di Cavalcanti, Pancetti e Guignard, vieram aprofundar e complementar a coleção brasileira do museu, que historicamente havia privilegiado a aquisição de arte europeia. Numa das primeiras visitas, a equipe do museu fez fotos das salas de reunião da Bolsa no centro de São Paulo, ainda com as obras nas paredes, mostrando onde cada uma era exposta e de que forma testemunharam por décadas muitas das principais decisões financeiras do país. Hoje, as pinturas são apresentadas nos cavaletes de vidro no MASP, para um público muito mais amplo. Ao vê-las ali, junto a outras centenas de obras do museu, especulo sobre as outras paredes (ou suportes) por onde passaram, que cenas e eventos presenciaram silenciosas, até finalmente chegarem ao MASP.

— Guilherme Giufrida, curador assistente, MASP, 2020




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